Entrevista ao Professor Doutor Miguel Oliveira e Sousa


Introdução
Devido a questões tanto legais como médicas que surgiram durante a pesquisa do trabalho considerámos que seria interessante realizar uma entrevista a uma pessoa especializada, portanto resolvemos contactar o Professor Doutor Miguel Oliveira e Sousa, Presidente do CNECV que aceitou responder-nos a algumas questões.
 Contudo, é de realçar que estas ainda são questões emergentes que levantam muita polémica e promovem o debate.


Entrevista

1º. Questão             : O que é mais importante? Os interesses dos possíveis pais ou o bem estar da criança? Em caso de conflito, o que deve prevalecer?

 Professor Dr. Miguel Oliveira e Sousa (MOS): A criança, isto porque a criança é um indivíduo com os mesmos direitos.

2º. Questão            : Um embrião já pode ser considerado uma pessoa?

MOS: Não, um embrião é um ser vivo mas não pode ser considerado uma pessoa pois ainda não possui o sistema nervoso central funcional, não possui consciência nem é racional.

3º. Questão            : O que fazer com os embriões excedentários? 

MOS: Actualmente, está legislado que os embriões excedentários devem ser preservados durante 3 anos. A CNPMA quer aumentar este número para 6 anos.

4º. Questão            : Existe ligação entre a religião e a ciência? 

MOS: Não existe relação entre a religião e a ciência mas como é óbvio, se uma pessoa é religiosa, isto vai influenciar a sua profissão. Se a pessoa em questão for cientista o facto de ser religiosa vai influenciar a sua ciência.

5º. Questão            : Qual a sua opinião acerca do diagnóstico de pré-implantação. 

MOS: Sim, deve ser feito.

6º. Questão            : Qual a relação entre a CNPMA e a CNECV?

MOS: A Comissão Nacional de Procriação Medicamente Assistida faz parte de Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Enquanto a CNECV trata de temas como a morte, a eutanásia, clonagem, etc. a CNPMA só trata de problemas directamente relacionados com a PMA.

7º. Questão            : Concorda com a doação de oócitos? 

MOS: Sim, em mulheres que não possuam ovários.

8º. Questão            : É a favor da maternidade de substituição?

MOS: Não, porque não é exclusivamente a genética que define a criança. Os nove meses que esta passa a fazer a gestação também influenciam o bebé, isto porque durante estes nove meses ocorrem fenómenos que definem que genes são activados e quais ficam inactivos. Assim, o mesmo bebé com o mesmo genoma vai ser diferente consoante o útero em que é gerado.

9º. Questão            : E em casos em que a mulher não tem útero? 

MOS: Sugiro o transplante de útero, técnica não praticada em Portugal, mas já explorada na Suécia.

10º. Questão          : E se o casal não estiver preocupado com a questão da activação e desactivação de genes? 

MOS: Nesse caso surgem outras questões. Imaginemos uma situação em que o casal quer recorrer à maternidade de substituição, existem três mulheres que se voluntariam para o ajudar, quem escolhem? Os pais genéticos vão conhecer a mulher para a escolher? Imaginando agora que escolhem uma mulher que é pobre e não tem dinheiro para comer; obviamente que o casal vai comprar comida pois não quer que o seu filho corra risco de vida. Mas, deste modo, não estará a comprar a mulher? No caso da escolha do parto quem é que decide, a mulher que dá à luz ou a mulher que financia o parto? E após o nascimento? Como se faz a amamentação da criança?


Conclusão
A entrevista realizada foi muito esclarecedora e com esta conseguimos responder às nossas questões e repensar algumas opiniões. Queríamos também agradecer ao Professor Doutor Miguel Oliveira por ter disponibilizado o seu tempo.


Maria Domingas Atouguia
Turma do 12º A

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